Espaço alunos

6 de dezembro de 2015

O discurso e a cidade: O Reino animal / A Pensão do Sexo / Força e Fraqueza das Mediações

CANDIDO, Antonio. De cortiço a cortiço. In: ___. O discurso e a cidade. São Paulo; Rio de Janeiro: Duas Cidades; Ouro sobre Azul, 2004, p. 123-152.
 O Reino Animal

Uma espécie de animalidade geral que tem sido apontada por mais de um crítico em todos os planos do livro, a começar pelo conjunto da habitação coletiva, vista como “aglomeração tumultuosa de machos e fêmeas”, que manifestam o “prazer animal de existir”, mais atenuado noutro trecho, onde se fala d’”aquela massa uniforme de machos e fêmeas a comichar, a fremir concupiscente, sufocando-se uns aos outros”; e logo depois vemos “as mulheres (que) iam despejando crianças com uma regularidade de gado procriador”.
Mesmo em contexto não sexual as mulheres aparecem “mostrando a uberdade das tetas cheias”, o que ocorre também quando se trata de cada uma isoladamente, como na cena em que o Henriquinho (um hóspede no sobrado do Comendador Miranda), vê da janela Leocádia lavando roupas e o “tremular das redondas tetas à larga”.
Essa animalização feita pelo narrador se mostra brutais para as normas daquele tempo: Como nessa passagem que mostra o pranto de Piedade de Jesus: “O mugido lúgebre daquela pobre criatura abandonada antepunha à rude agitação do cortiço uma nota lamentosa e tristonha de uma vaca chamando ao longe, perdida ao cair da noite num lugar desconhecido e agreste”.
A passagem acima nivela o homem ao bicho, enquanto organismos sujeitos ambos às leis decorrentes da sua estrutura. Até em efeitos estilísticos meramente descritivos vemos a mesma tendência:
“a sua crina preta, desgrenhada, escorrida e abundante como as das éguas selvagens”.
A redução à animalidade decorre da redução geral à fisiologia, ou ao homem concebido como síntese das funções orgânicas.
Daí as palavras que designam a anatomia ou as funções orgânicas, sobretudo o sexo, serem usadas nos contextos naturalistas não apenas como denotação, mas como gemas que se engastam para serem contempladas por si mesmas, porque assumiam um valor moral e social que se sobrepõe ao intuito científico. “Teta”, por exemplo, é um designativo técnico, e deve portanto substituir o vago “colo” dos clássicos ou o específico “seio” dos românticos, porque permite abranger mais espécies do que a humana e assim impor a visão do homem mergulhado na vasta comunidade orgânica dos mamíferos, rompendo a sua excepcionalidade.
Frequentemente a visão fisiológica se transforma em lubricidade e até obscenidade, que podem ser, de um lado, mera constatação da grosseria e da vulgaridade nas relações humanas; mas que de outro parece às vezes uma condenação, uma certa reprovação daquilo que, no entanto, deveria ser considerado natural. N’O cortiço a gama do ato sexual é extensa, desde a comicidade quase de anedota, como a posse de Leocádia no capinzal por um Henriquinho extremamente matreiro, que segura pelas orelhas o coelho branco prometido como preço, até a posse de Piedade, bêbada, pelo vagabundo Pataca, com a filha observando e um vômito final de conspurcação.

A “pensão do sexo”
Aluísio não apenas se afasta desse gosto pelo aspecto saudável das funções fisiológicas, mas altera a relação “função fisiológica-manifestação individual”, incluindo um mediador entre ambas, o mesmo que dirige o relacionamento geral dos personagens: a natureza física, No caso, natureza física do Brasil, encarnada ainda aqui pelo Sol como manifestação simbólica. E vemos mais uma vez como as condições locais interferem no processo de difusão literária, estabelecendo maneiras também peculiares de constituir o discurso.
Um dos centros de interesse da narrativa, n’O cortiço, é o pequeno drama da nubilidade de Pombinha. Os sinais não aparecem, apesar da moça ter quase dezoito anos, e há uma expectativa geral, indiscreta, da mãe, do noivo, dos vizinhos, que fazem perguntas do tipo “já veio?”, “já chegou?”. Aluísio a introduziu n’O cortiço, onde dá lugar à cena de mais rasgada violência sexual. A cocotte francesa Léonie protege Pombinha, se interessa pelo seu casamento e acaba iniciando-a no homossexualismo feminino. Mas é justamente esse ato desnatural que, ao contrário do desabrochar espontâneo de Pauline Quenu, provoca finalmente os sinais da maturidade sexual. (No fim do livro, Pombinha, tornada prostituta própria, retoma com a filha abandonada de jerônimo o tipo de proteção depravada que recebera da francesa).
Com efeito, um dia depois de violentada, mas ao mesmo tempo despertada sexualmente pela cocotte, a mocinha adormece no capinzal ao fundo do cortiço e sonha que está numa “floresta vermelha cor de sangue”, deitada na corola de enorme rosa vermelha, fascinada pelo sol, que desce como borboleta de fogo e solta sobre ela “uma nuvem de poeira dourada”. Pombinha acorda sentindo “a puberdade sair-lhe afinal das entranhas em uma onda vermelha e quente”.

Força e fraqueza das mediações
N’O cortiço está presente o mundo do trabalho, do lucro, da competição, da exploração econômica visível, que dissolvem a fábula e sua intemporalidade.
Mas então entra em cena um jogo de mediações, que modificam a relação entre ficção e realidade, porque, como ficou dito, os fatos narrados tendem a ganhar um segundo sentido, de cunho alegórico. Visto deste ângulo, o cortiço passa a representar também o Brasil, na medida em que o espaço limitado onde atua o projeto econômico de João Romão figura em escorço as condições gerais do país, visto como matéria-prima de lucro para o capitalista.
O fato de ser brasileiro levou Aluísio a interpor uma camada mediadora de sentido entre o fato particular (cortiço) e o significado humano geral (pobreza, exploração). Mas no livro de Aluísio, entre a representação concreta particular (cortiço) e a nossa percepção da pobreza se interpõe o Brasil como intermediário. Havia uma tal necessidade de autodefinição nacional, que os escritores pareciam constrangidos se não pudessem usar o discurso para representar a cada passo o país, desconfiando de uma palavra não mediada por ele.

Resumo/Estudo feito por Angélica Pereira, para matéria Poéticas do Espaço no mestrado de Estudos Literários da Universidade Federal de Uberlândia UFU.

17 de novembro de 2015

Estudos Literários: Ambientação franca, reflexa e dissimulada.

Ao estudar 'Osman Lins' em 'Poéticas do Espaço' com a Prof. Marisa Martins Gama Khalil (no mestrado em Estudos Literários da Universidade Federal de Uberlândia-UFU), foi pedido que os alunos criassem um texto curto com uma narrativa que abordasse a ambientação franca, reflexa e dissimulada, que era o tema trabalhado em aula. Segue abaixo a narrativa que eu criei em aula:
"Já havia visto a patroa partir, o patrão e ainda restava o bebê – que estava no andar de cima em sono profundo. A mesa permanecia no seu lugar, enquanto o resto da cozinha estava em desordem. Cadeiras jogadas, quebradas e espalhadas pelo chão. Retratos de família estilhaçados no assoalho, cortina rasgada, porta arrombada, gavetas jogadas ao chão, acompanhadas pelas facas ensanguentadas escolhidas a dedo. Por debaixo do forro da mesa, a visão era dos pés do assassino, que andava pelo assoalho da cozinha emitindo ruídos estridentes. Minha respiração ficou incontrolavelmente ofegante, o suor descia pelo meu rosto e pingava no chão fazendo com que a atenção dele se voltasse para mim. Fui traída pela batida forte do meu coração e a respiração barulhenta que me revelou a seus olhos. A mesa caiu para trás com seu golpe, levantei, corri e gritei como se estivesse em um pesadelo. E estava, senti o primeiro golpe nas costas e caí na escada fria, o sangue descia e jorrava, não tive forças para reagir, me virei, o encarei, seus olhos eram cor de fogo, me encarando com ódio e desprezo. O último golpe foi em meu peito, ouvi o choro do bebê que acordara com a agitação e com meus gritos, e não tive tempo de presenciar o que lhe acontecera..."
Angélica Pereira

12 de novembro de 2015

Dica de Título para Redação

O título tem de ser pensado como aquilo que dará unidade e evidência (UM SENTIDO, único) à tese defendida por ele no texto-redação. Lembrando que uma tese é uma ideia SUSTENTADA, negociada via argumentos. Para criar um título de sucesso deve-se pensar a fórmula seguinte:
X: Y, em que X será a ideia genérica, geral (que constitui a tese) e Y a ideia MAIS específica (a questão central da tese). Se, por acaso, ficar muito grande o título, eliminar X. 
Exemplos:
X – O vestibular:
Y – número de aprovados por mérito
X – Preconceito racial:
Y – fim de uma prática perversa
Está com dificuldade em criar a tese? Escreva a palavra DEFENDEMOS, daí você poderá chegar a uma tese. Exemplo: Defendemos que o número de aprovados no vestibular seja divulgado enquanto mérito, não como forma de ranquear alunos, classificá-los; Defendemos que o preconceito racial tenha definitivamente um fim, já que se constitui de práticas perversas à ideia do que é ser-humano: aquele que é heterogêneo por natureza.

Considerações do meu querido professor Hélder Sousa que terminou de me ensinar essas dicas dizendo "Será sempre um prazer ajudá-la a refletir, compreender e interferir no fazer-saber-conhecer de seus alunos." Obrigada professor, deixo livre a incrível dica!

20 de setembro de 2015

Plano de aula Redação (Enem) - Conclusão

 “Conclusão”
Seu texto é uma unidade de sentido. As partes que o compõem – introdução, desenvolvimento e conclusão – devem estar conectadas, ratificando uma clara progressão da ideia. O último parágrafo tem um importantíssimo papel nesse processo visto que é ele o responsável pelo fechamento do raciocínio. Logo, a conclusão deve confirmar sua estratégia de convencimento exposta ao longo da redação.
“E agora? O que eu escrevo? Já falei tudo o que queria...”

Questões a serem discutidas em aula:
1)      Qual o objetivo da conclusão?
Reafirmar sua tese, apresentar propostas de intervenção inovadoras e concluir o texto.
2)      Quantos parágrafos deve ter a conclusão?
Um parágrafo.
3)      Os parágrafos da redação devem ser simétricos. O que significa isso? Quantas linhas é o ideal?
Significa que devem ter mais ou menos o mesmo tamanho. O ideal é de 4 a 7 linhas.
4)      Qual é o primeiro passo ao criar o parágrafo de introdução?
O primeiro passo é reafirmar sua tese na primeira frase do parágrafo de conclusão.
5)      Posso acrescentar informações novas na conclusão?
Não. De inovador, você só deve colocar as propostas de intervenção.
6)      A elaboração de propostas de ação social é um item indispensável quando se trata da redação do ENEM; quantas propostas de intervenção devo elaborar?
Para uma melhor nota, no mínimo duas.
7)      Como ‘nunca’ devo terminar minha conclusão?
Com reticências ou ponto de interrogação. 
·         O uso de conectivos de valor conclusivo também enrique uma conclusão. Conjunções, como “portanto”, “então”, “contudo”, “logo”, por exemplo, são ferramentas importantes na hora de fechar o texto;
·         Evite construções do tipo “conclui-se que”, “pode-se concluir”, “concluindo”, por exemplo. Isso torna seu discurso redundante.
Não sabe como começar? Levantamento de frases-modelo para a conclusão de um texto:
Em virtude dos fatos mencionados… Por isso tudo… Levando-se em consideração esses aspectos… Dessa forma… Em vista dos argumentos apresentados… Dado o exposto… Tendo em vista aspectos observados… Levando-se em conta o que foi observado… Em virtude do que foi mencionado… Por todos, esses aspectos… Pela observação dos aspectos analisados… Portanto… / Logo…/ Então…/Assim… Em face aos dados apresentados… Em face a essa realidade...

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5 de setembro de 2015

Plano de aula Redação (Enem) - Desenvolvimento

 “Desenvolvimento”
No parágrafo de introdução, formula-se uma tese. Basicamente, os parágrafos de desenvolvimento têm por propósito confirmar, através de uma argumentação, o posicionamento lançado no início do seu texto. A tese nada mais é do que a sua opinião (o seu posicionamento) a respeito do tema e ela é a ideia principal da redação.
1)      Onde aparece o desenvolvimento?
O desenvolvimento vem depois da introdução, antes da conclusão.
2)      Qual é o objetivo do desenvolvimento?
O objetivo é defender e provar a tese que você colocou na introdução.
3)       O ideal é termos quantos parágrafos de desenvolvimento?
      De dois a três parágrafos.
4)      Como devo escolher a quantidade de parágrafos que deve ser feita no desenvolvimento?
      Varia de acordo com a sua aptidão em relação ao tema.  Se tivermos apenas duas ideias fortes que sustentem a tese, não há a menor necessidade de fazer um terceiro parágrafo de desenvolvimento. A decisão pelo terceiro parágrafo de desenvolvimento é particular. Tudo vai depender de sua segurança para escrevê-lo. Lembrem-se de que um argumento superficial ou redundante prejudica a evolução do texto.
5)      O que cada parágrafo do desenvolvimento deve ter?  Tópico frasal, argumentos e fechamento. Tópico frasal – Primeira frase do parágrafo, tudo que estiver escrito até primeiro ponto final, mostra a ideia principal do parágrafo. Argumentos – Desenvolve-se a ideia inicial Encerramento - O fechamento é a parte do parágrafo que dá um tom de conclusão (para ajudar, você pode começar o fechamento com algum elemento conclusivo, como "sendo assim", "portanto", "dessa maneira", "logo", "então", etc). 
6)      Algumas estratégias argumentativas:
- Uma boa maneira de argumentar é tentar associar causas e consequências ao tema proposto. Como por exemplo: se o tema está associado à educação brasileira, podemos buscar argumentos para essa proposta pensando nas causas do quadro atual da educação brasileira (falta de investimentos, falta de valorização e de capacitação dos profissionais, etc...) e também nas consequências que ela provocará a longo prazo em nossa sociedade. É interessante notar que, quando o tema se trata de algum tipo de problema a solução aparece ao pensarmos nas causas desse problema. Logo, por exemplo, para solucionar as deficiências da educação brasileira nós precisamos pensar em suas causas. É atuando nas causas do problema que temos a solução.
- Argumentação por citações - A citação nada mais é do que eu usar as palavras de outra pessoa. Exemplo: “Desse modo, fica mais evidente que Einstein estava correto ao dizer que não sabia como seria a terceira guerra mundial, mas sabia que a quarta se resumiria a pedras e a paus.”
- Argumentação por exemplificação - O exemplo é um tipo de argumento bem convincente, pois traz situações reais aos fatos defendidos, aumentando a credibilidade de sua opinião. Afinal, não é convincente provar que você está correto usando exemplos reais?
- O contra-argumento consiste na refutação contra um argumento oposto. Como assim? Vamos pegar um exemplo bem polêmico. Supondo que o tema seja a respeito do "aborto" e que eu seja contra ele. Ao invés de eu expressar argumentos contra o aborto, eu posso expressar os argumentos contra os argumentos a favor do aborto (confuso?). Vamos lá: Argumento a favor do aborto: "o aborto é uma solução para a gravidez indesejada que evita que uma criança nasça em meios a graves problemas familiares, evitando que ela não seja criada por pessoas que não quiseram concebê-la". Contra-argumento: "o aborto realmente pode parecer uma solução para a gravidez indesejada. Porém, existe uma solução muito melhor, que são os eficazes e conhecidos métodos anticoncepcionais. É muito melhor se prevenir com responsabilidade do que assassinar uma vida inocente.".
·         Um exemplo de desenvolvimento com o tema ‘Internet’:
Entretanto, o grande problema da internet é o fato de ela ter falhas que comprometem a segurança de seus usuários. Por ser pública e global, ela é usada por muitos tipos de pessoas e elas podem ter diferentes propósitos e objetivos, o que compromete a segurança da rede. Esse fato é agravado ainda pela questão do anonimato, que facilita crimes como racismo, pedofilia, roubos de informações pessoais, falsas identidades e plágio. Além disso, a rede é vulnerável a ações de hackers, que são capazes de invadirem contas de empresas, de pessoas físicas e até mesmo do próprio governo. Tudo isso demonstra que a internet, apesar de facilitar o acesso à informação, é um ambiente inseguro e que, portanto, exige cautela por parte de seus usuários.

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3 de setembro de 2015

Plano de aula Redação (Enem) - Introdução

·         Erros de quem zerou a redação do Enem.
- Fugir totalmente do tema. 
- Cópia dos textos motivadores.
- Texto com menos de 7 linhas. 
- Texto não dissertativo.
- Ferir os direitos humanos.
- Letra legível.
·         A redação precisa sempre ter título?
- Obrigatório ou não, o título pode ser o diferencial no seu texto. Se você souber fazê-lo e ficar bem colocado no texto, é recomendável o uso, mesmo que ele não seja exigido pela prova.
·   No caso das redações do Enem, se o estudante não colocar uma proposta de solução do problema, ele perde pontos?
- Não colocar a proposta de solução do problema na redação do ENEM fará com que o estudante perca 200 pontos na hora da correção. 
Dissertação: Introdução: No primeiro parágrafo você deverá expor o problema e o caminho a ser seguido no texto para expô-lo ou para defender algum ponto de vista a respeito dele. Desenvolvimento: Aqui se encontram os argumentos, opiniões, estatísticas, fatos e exemplos. Ao apresentá-los você deve sempre se direcionar para um lado da questão, um ângulo de visão, uma opinião específica. Conclusão: Aqui você deixa claro o objetivo da sua dissertação, expõe o ponto de vista defendido ou a conclusão da sua exposição de forma que se arremate todos os argumentos utilizados durante a construção do texto.
 “INTRODUÇÃO”
Espera-se que uma dissertação comece com uma introdução em que se apresente o tema posto em debate, já procurando conseguir adesão do interlocutor à posição do enunciador.
Tipos de introdução:
     Introdução clássica - Ela motiva por sua atualidade, pois vai explorar o conhecimento de mundo do leitor através de um questionamento mais amplo, de um ponto de vista histórico, geográfico ou ideológico. a) Percurso histórico: “Desde seus primeiros passos, o Brasil caminhou com dificuldade.” b) Enumeração de elementos: “Vestibulinho, vestibular, entrevista de emprego. Eis algumas das “catracas” pelas quais devemos passar no decorrer de nossas vidas.” c) Apresentação de dados estatísticos: “Dados estatísticos indicam que nos países em desenvolvimento, entre eles a América Latina e Caribe, cerca de 36% das 182 milhões de gestações anuais ocorridas não foram planejadas e 20% delas resultaram em aborto.” d) Definição de termos implicados no problema: “A globalização é a atual tendência de integração entre países do globo. Prova disso são os blocos econômicos, reunião de países que buscam maior integração comercial: União Européia, Nafta, Mercosul.”
·   Introdução questionadora – “A prática de utilização de palavras e expressões estrangeiras é prejudicial à nossa língua?”
·      Introdução provocativa – Consiste em atacar opiniões por meio de afirmações de impacto. Exige esforço redobrado na sustentação de um ponto de vista que renega as crenças difundidas. “O projeto do deputado Aldo Rebelo, a despeito da simpatia que possa despertar, revela-se fruto de extrema ingenuidade e de má compreensão do que seja a língua de um povo.”
·      Introdução insinuante - Sensibiliza o leitor por uma breve narração de um caso particular ilustrativo. a) exploração da comparação: “Como um curso d’água, a língua refaz seu leito de acordo com as circunstâncias.” b) citação ou alusão motivadora: “Num famoso conto, chamado “A terra dos cegos”, H. G. Wells narra a luta de um homem com visão normal para persuadir os outros, todos cegos, de que ele possui a capacidade de ver. É inevitável que nos venha à mente o popular provérbio “Em terra de cegos quem tem um olho é rei”. Só que o herói de Wells fracassa.”.
Fórmula para uma redação nota 1.000 no Enem 2015: 1 – Domine a dissertação. 2 – Praticar não é o suficiente. 3 – Aproveite os textos motivadores. 4 – Organize as ideias. 5 – Informe-se.
O Estatuto do desarmamento é um possível tema para a redação do Enem 2015, segue link com mais informações a respeito desse tema:
http://g1.globo.com/politica/noticia/2015/04/camara-instala-comissao-para-debater-fim-do-estatuto-do-desarmamento.html
Angélica Pereira
Publicação com imagem e pesquisa via internet.

18 de agosto de 2015

LÍNGUA PORTUGUESA E ENSINO: GESTOS DE INTER-AÇÃO NA E PELA LINGUAGEM


Acaba de ser publicado, na revista Querubim, mais um artigo que escrevi com dois grandes amigos! O presente artigo se propõe a tecer reflexões gerais sobre Língua Portuguesa e (seu) Ensino atual, tomando como pressuposto teórico a propalada noção linguística de inter-ação na linguagem. Nosso material de análise utilizado para tal serão recortes de atividades retiradas de um livro didático de português. Esse percurso teórico-metodológico permitir-nos-á corroborar, em essência, fatos do estatuto da noção de interação na linguagem, por exemplo, o fato interlocução, o diálogo constante de interlocutores que tomam a língua para (se) significar. Palavras-chave: Ensino. Interação. Língua Portuguesa. 

Angélica Pereira Martins
Hélder Sousa Santos
Paula Boaventura Veloso
Link de acesso a revista: 
http://www.uff.br/feuffrevistaquerubim/images/arquivos/zquerubim_26_v_1.pdf
Boa leitura!

16 de abril de 2015

Resumo "Dom Quixote e o problema da realidade" - Alfred Schutz

            “Dom Quixote e o problema da realidade” é um artigo escrito por Alfred Schütz, publicado no livro ‘Teoria da Literatura em suas fontes’, que compõe um modelo de crítica sociológica.
            O autor inicia o artigo com a seguinte pergunta: “Sob que circunstâncias consideramos as coisas como sendo reais?” É um questionamento feito Wiliam James, um filósofo, em seu livro “Princípios de Psicologia”. De acordo com Wiliam James toda distinção entre real e irreal, sempre se baseia em dois fatores mentais, primeiro, que somos propícios a pensar de modo diferente sobre o mesmo objeto. Segundo, que, quando o fazemos, podemos escolher qual o modo de pensar a que queremos aderir e qual ignorar.
            Existe um número considerável de diferentes ordens da realidade, às quais Wiliam chama de “subuniversos”. Entre eles, encontra-se o mundo dos sentidos ou das “coisas físicas”; o mundo da ciência; das relações ideais; dos mundos sobrenaturais, tais como céu e o inferno cristãos; os numerosos mundos da opinião individual, e finalmente os mundos da pura ociosidade e loucura.  Cada um desses mundos, enquanto desperta nossa atenção, é real ao seu próprio modo. Ele afirma que a origem e a fonte de toda realidade, sempre está, em nós mesmos.
            O objetivo do texto é analisar o problema da realidade na obra de Dom Quixote, de Miguel de Cervantes. Apresentar a tese de que o romance de Cervantes trata sistemática e exatamente do problema das múltiplas realidades. Mostrando isso com alguns exemplos de passagens da obra.
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13 de março de 2015

A Noiva e o Noivo (Modigliani, 1916)

Amedeo Clemente Modigliani foi um artista que viveu em Paris. Morreu aos trinta e cinco anos, em condições de extrema pobreza, vítima de meningite tuberculosa. Só se tornou um artista famoso depois de sua morte. Uma das características mais marcantes de sua obra é a crítica à classe burguesa. 

Nessa obra (no estilo cubismo (pelos traços dos rostos)) observando os valores extrínsecos percebemos que os modelos estão sérios e possuem olhos vazios. O homem está de terno e gravata e a mulher também se apresenta elegante.
Observando os valores intrínsecos percebemos que o artista quis fazer uma crítica à classe burguesa. Os olhos vazios como se fossem corpos sem alma. (Pessoas ricas que só se preocupam com a aparência). A burguesia é representada pela elegância e o ar de importância do casal; que pensam ser mais valiosos do que o restante da sociedade. 

Angélica Pereira

3 de março de 2015

O ensino de Língua Portuguesa: o trabalho com as tipologias e com os gêneros textuais.

Já há algum tempo, com a publicação dos PCN’s, o ensino de Língua Portuguesa tem sido perpassado essencialmente pelo trabalho com o texto. Assim, este artigo tem como objetivo geral apresentar a noção de tipo textual e de gênero textual, projetando que os gêneros textuais são muito importantes e estão em constante evolução, fazendo, assim, as tipologias, que são menos mutáveis, transitarem pelos diversos gêneros. Para realização deste estudo, foi empreendida uma pesquisa bibliográfica e webliográfica e, a partir do levantamento teórico, foram expostos argumentos no que diz respeito ao que se considera insuficiente nas propostas de redação. Por fim, foi apontada a necessidade de se trabalhar as tipologias imbricadas nos gêneros, já que a comunicação só é possível por meio de algum gênero. 
Palavras-chave: Tipos textuais. Gêneros textuais. Práticas de ensino. Produção textual.
Angélica Pereira Martins Graduada em Letras pelo Centro Universitário de Patos de Minas (UNIPAM). E-mail: angelicapereiiraa@hotmail.com & Paula Boaventura Veloso Graduada em Letras pelo Centro Universitário de Patos de Minas (UNIPAM).
Disponível em:

28 de janeiro de 2015

RESENHA: “Gêneros multimodais e multiletramento”

DIONISIO, A. P. Gêneros multimodais e multiletramento. In: KARXOSKI, A. M.; GAYDECZKA, B.; BRITO, K. S. (Orgs.). Gêneros textuais: reflexão e ensino. 3. ed. Rio de Janeiro: Lucerna, 2008, p.119-132.

Angela Paiva Dionisio possui doutorado em Letras pela Universidade Federal de Pernambuco (1998) e pós-doutorado pela Universidade da Califórnia em Santa Barbara (2004). É professora de Língua Portuguesa e Linguística do Departamento de Letras da Universidade Federal de Pernambuco e editora da revista “Ao Pé da Letra”. Possui várias publicações na área de Linguística, com ênfase em Análise da Conversação, Linguística Textual e Gêneros Textuais, atuando, principalmente, nos seguintes temas: ensino de língua materna, gêneros textuais, instrução multimodal e formação do professor.
Dionisio escreveu um artigo intitulado “Gêneros multimodais e multiletramento”, em que o dividiu em cinco seções. A primeira delas é denominada “Introdução”, a segunda “Multimodalidade: traço constitutivo do texto falado e escrito”, a terceira “Informatividade visual nos gêneros textuais e escritos: variações num contínuo”, a quarta “Inovações tecnológicas e novas formas de interação com os textos” e a quinta “Gêneros multimodais e multiletramento: algumas reflexões”.
Inicialmente, a doutora afirma que, atualmente, vive-se na era da tecnologia, na qual as formas de interação são influenciadas pelos avanços tecnológicos. Em consequência disso, segundo a autora, há uma necessidade de revisão e ampliação de alguns conceitos basilares no campo dos estudos das interações humanas e do processamento textual.
Para a professora, deve-se revistar o conceito de letramento, já que a sua definição como habilidade de ler e escrever não abrange todos os diferentes tipos de representação do conhecimento existentes na sociedade. Na atualidade, uma pessoa letrada deve ser uma pessoa capaz de atribuir sentidos a mensagens oriundas de múltiplas fontes de linguagem, bem como ser capaz de produzir mensagens, incorporando múltiplas fontes de linguagem.
A referida autora prossegue ressaltando a relação mantida, cada vez mais próxima e integrada, entre imagem e palavra. Assim, todos os recursos utilizados na construção dos gêneros textuais exercem uma função retórica na construção de sentidos dos textos. De acordo com a mesma, vive-se em uma sociedade cada vez mais visual, em que a combinação de material visual com a escrita é observada com grande frequência.
Segundo Dionisio, quando se usa a linguagem, realizam-se ações individuais e sociais que são manifestações sócio-culturais, materializadas em gêneros textuais. Ela salienta que esses são frames de ações sociais, por isso pode-se jogar com uma variedade de formas em diferentes situações sociais e com diferentes objetivos.
A professora afirma que os meios de comunicação de massa escritos e a leitura são dois espaços sociais de grande produtividade para a experimentação de arranjos visuais e que os gêneros textuais multimodais não são apenas os aspectos visuais, mas também a própria disposição gráfica do texto no papel ou na tela de computador.
A doutora também destaca que a maior liberdade na manipulação dos gêneros textuais está atrelada a uma relação direta com a audiência e com o meio físico que transmite o gênero, gênero este que molda os pensamentos formados e as comunicações pelas quais há interação.
Para a autora, há diferentes níveis da manifestação da organização multimodal, que se estendem do nível de representação mais padronizado de acordo com as instâncias a que o texto se destina. Há, também, a existência de um contínuo informativo visual dos gêneros textuais escritos que vai do menos visualmente informativo ao mais visualmente informativo.
Na sequência, Dionisio passa a focalizar no infográfico, que é uma criação gráfica, utilizando recursos visuais, associados a textos curtos, para apresentar informações jornalísticas de forma objetiva e atraente. A professora realizou uma pesquisa com 10 leitores de diferentes idades, pretendendo observar seus movimentos oculares no processamento de gêneros com diferentes graus de informatividade visual. Ela utilizou gêneros textuais publicados em três revistas e percebeu que a atenção de crianças e adolescentes ficou voltada ao elemento visual do texto e a dos adultos ficou voltada ao texto verbal, mostrando serem menos receptivos a textos com novos layouts.
A professora finaliza seu artigo, concluindo ser, cada vez mais frequente, a preocupação dos professores em inserir gêneros textuais diversos e recursos tecnológicos da sociedade moderna nas atividades realizadas em sala de aula. Para ela, é necessário que o professor esteja ciente de que diferentes especificações de multimodalidade textual são apresentadas e diferentes letramentos são exigidos, de acordo com a sofisticação e a especialização dos gêneros de cada disciplina.
O referido artigo apresenta uma importante contribuição para a reflexão sobre gêneros, sendo de muita utilidade para esclarecer aspectos pouco discutidos por pesquisadores da área. Dionisio salienta a necessidade de maiores investigações no aspecto da escrita, no que diz respeito ao caráter multimodal assumido pelo letramento com as novas tecnologias. Seu artigo é destinado àquelas pessoas que já possuem uma boa noção de gêneros, incluindo profissionais e estudantes da área de Letras.
ANGÉLICA PEREIRA MARTINS
DAYANE AMORIM GOMES
GABRIELA GOMES DE FARIA
PAULA BOAVENTURA VELOSO