Espaço alunos

9 de outubro de 2012

Filme: O senhor das moscas - Harry Hook


Uma vez que existe um líder por escolha da maioria e este tenta tomar as decisões que sejam melhores para todos, podemos relacionar Ralph à democracia, ao governo, à ordem e à responsabilidade. Em meio à sociedade e em meio ao processo civilizatório existe uma democracia baseada em que, a civilização é governada por um líder, o que é retratado no filme.
          O filme mostra que leis e regras, políticas e outras formas de autoridade são necessárias para controlar e tentar conter o impulso naturalmente humano para a violência e a crueldade. Quando estas instituições falham ou são desprezadas – é o que a partir de certa altura acontece no filme com o roubo do poder por Jack e o seu grupo de caçadores - o lado negro do ser humano emerge e os seus comportamentos assumem formas selvagens e destrutivas. Por isso, concluímos que as leis e as regras são fundamentais para que a civilização viva em harmonia e tenha limites.
         O filme nós mostra que mesmo em condições ambientais mais propícias – estamos num mundo desconhecido e ameaçador, precisamos de união para enfrentar desafios – não é suficiente usar da crueldade, a violência e a subjugação dos outros para resolver problemas e conflitos. Isso é representado quando numa ilha deserta, apesar de tentativas iniciais de organização civilizada dos comportamentos, a luta pela supremacia depressa se instalou e o desrespeito pelas normas e regras conduziu à desintegração da civilização.
 No processo civilizatório é importante estabelecer prioridades. Podemos dizer que o mundo de Jack e o de Ralph se distinguem com base nas prioridades – no que consideram prioritário ou mais importante – e na forma como interagem com os membros do grupo. Ralph oferece aos membros do grupo a possibilidade de discutir as decisões, de participar no desenvolvimento da sociedade que estão a construir. Ralph acredita que como prioridade deve-se manter o fogo aceso e que os rapazes se organizem a partir desse princípio. E Jack defende que em torno do princípio da sobrevivência caçar é bem mais importante do que manter o fogo aceso. Ele oferece aos membros do grupo comida e segurança como princípios fundamentais.
Os sobreviventes retidos na ilha dividiram tarefas entre si, estabeleceram objetivos, mas nem todos os elementos do grupo possuem a mesma motivação. Alguns não estão dispostos a aceitar as regras do jogo, mesmo que o que esteja em causa seja a sobrevivência. Um dos rapazes propõe que se dediquem apenas à caça e às brincadeiras, apresentando aos seus companheiros soluções fáceis e de satisfação imediata. Recusa participar nos trabalhos rotineiros que caberiam a todos os estudantes. Desfaz-se a união entre os colegas e alguns seguem o rebelde.
O mito surge em determinado momento do filme da necessidade do ser humano ter algo que lhe remete poderes e da necessidade de acreditar em algo sobrenatural que explique a vida e o mundo. Todas as civilizações (evoluídas ou primatas) tiveram e têm ainda seus mitos. Ele surge como uma narrativa duma "criação". Conta como qualquer coisa foi produzida, isto é, começou a ser.
O mito mobiliza a coletividade a uma ação desejada servindo como um padrão ideal de comportamento, ou seja, imitável e ao mesmo tempo inatingível. Para estabelecer e manter o vínculo a organização utiliza um discurso mítico, que, visa à fascinação, ao enfeitiçamento, daqueles que o escutam.Existir no mito significa aceitar viver em comunidade, partilhar os fantasmas e confrontar-se com os representantes das pulsões. Sem o mito seria impossível viver em sociedade, no entanto, viver no mito é refugiar-se no calor da comunidade, da ilusão comunicada, da idealização mistificadora, da alienação consentida.

Dado que o processo de socialização começa muito cedo, e age continuamente sobre os indivíduos, vemos no filme indicações de práticas sociais presentes em todas as sociedades, como as histórias contadas em roda como uma forma de transmissão de conhecimento, jogos e brincadeiras auxiliando no aprendizado, ou rituais de pintura do corpo e utilização de adereços corporais para diferenciação do grupo. Aos poucos notamos também a presença de elementos individuais, como a preocupação de Ralph com os demais – por vezes impondo rigidez ao comportamento dos outros – já Piggy é extremamente centrado, mais humano e racional; Jack simboliza muitos daqueles que querem se divertir, sem tanto compromisso com os deveres, empurrando os mesmos até que a situação torne-se insustentável.
O filme trata da descoberta do mal que existe no coração do ser humano. Independentemente da idade e do meio onde o ser humano viva, o mal surge como algo natural. Apesar de terem recebido fina educação inglesa, os rapazes regridem para a pura selvajaria, criando ritos e sacrifícios, desrespeitando as "leis" por eles mesmos instituídas até culminar no assassinato e na perseguição encarniçada aos opositores. O mundo externo com as suas ameaças unicamente permite a descoberta do mal e da crueldade que existe em cada um de nós. Sempre presente sob forma latente, esperando por uma oportunidade para se manifestar, o impulso para o mal, a crueldade e a destruição, é algo que só precisa que sujam conflitos de interesses, rivalidades e invejas para se soltar e desfazer laços sociais civilizados. Assim o ser humano pode ser comparado a um bicho, um ser irracional que age sem pensar nas consequencias de seus atos.
Análise de Angélica Pereira e Paula Boaventura.

Gabriela, cravo e canela

Obra: Gabriela, Cravo e Canela
Autor: Jorge Amado
O autor escreveu Gabriela, cravo e canela em 1958, essa obra se caracterizou pelo humor e a racionalidade dos textos. O autor conta sobre política, erotismo e vários fatos que envolve a sociedade. O sucesso do livro foi tanto, que após Gabriela, Jorge Amado foi eleito para a Academia de letras. A obra que escolhi tem a edição: 53, a editora: RECORD e esse romance foi publicado em 1958 com 358 páginas.
O livro tem como introdução a apresentação do Mundinho Falcão e Nacib. Acontece então a exposição dos fatos a partir de Mundinho, que é o moço que se muda para Ilhéus e quer acelerar o desenvolvimento da cidade, e para isso, ele tem que enfrentar vários coronéis, principalmente o mais forte que é Ramiro Bastos. E Nacib que é um sírio, dono do bar mais famoso da cidade, onde um dia em que teria que servir um jantar importante, sua cozinheira resolve ir embora para morar com seu filho, e ele sai as pressas em busca de uma nova cozinheira.
O desenvolvimento do conflito ocorre quando aparece Gabriela, que migra do sertão, fugindo da seca junto com seu tio, e chega a Ilhéus em busca de um emprego. Nacib que já estava a procurar uma cozinheira encontra Gabriela no porto e a contrata. Porém, Gabriela não foi somente uma cozinheira, passou a dormir com Nacib todas as noites como sua mulher.
O momento culminante da Narrativa é quando Jorge Amado com seus vários personagens (prostitutas, coronéis, adúlteras, jovens), dá inicio aos acontecimentos marcantes e conflituosos de cada um. Malvina é uma moça do colégio de freiras que se apaixona por Josué, eles acabam fugindo, mas são pegos e a jovem é internada em um colégio fora de Ilhéus. Outra história é o caso do dentista Osmundo Pimentel, que se apaixona e tem um romance com Dona Sinhazinha (que é casada), na cidade imperava uma lei em que os homens que eram traídos deveriam lavar sua honra, e assim aconteceu, o casal foi morto pelo coronel traído. Gabriela e Nacib se casam oficialmente.
Ao final da narrativa, acontece o progresso da cidade de Ilhéus, e o regime coronelista acaba. O coronel Jesuino Mendonça é levado a júri acusado de matar sua esposa e o cirurgião dentista a tiros. Gabriela é flagrada traindo Nacib com Tonico Bastos, o padrinho do casamento deles. Porém o casal não é morto, somente levam uma surra e o casamento é anulado. Com o passar dos dias, Nacib precisa de sua cozinheira de volta, e a contrata para trabalhar e ficar apenas no bar. Mas ele não resiste e termino esse resumo com um trecho do livro sobre o fim da história de Nacib e Gabriela: ‘[...] renasce a chama do amor de uma brasa dormida nas cinzas do peito. ’ 
Gabriela e Sr. Nacib são os protagonistas desse romance. São personagens esféricos. Gabriela é uma moça animada, muito linda, que atrai os olhares dos homens, e que esta sempre disposta a tudo, não gosta e nunca se acostuma com a idéia de ser presa, gosta de ser livre em todos os lugares.  Nacib é o dono de um bar, em que as pessoas mais importantes da região se encontram lá (O bar do Vesúvio). De acordo com o livro ele era alto, gordo, com muito cabelo e bigode. Nasceu na Síria e foi o primeiro homem a se interessar por Gabriela, tendo com ela um romance.
Tonico Bastos é filho do coronel Ramiro e era muito assanhado e conquistador. É o antagonista da história. É um moço que estava sempre despreocupado e bem vestido. Foi ele que conseguiu conquistar a Gabriela por um tempo e acabou com o casamento dela.
Entre os outros personagens que se envolvem nesse romance, vou citar as irmãs dos Reis, que se chamavam Quinquina e Florzinha, elas construíam presépios e eram fofoqueiras. A Malvina que era uma menina que obedecia às ordens dos pais, mas também era a única moça que tinha coragem de exigir seus direitos e acabou fugindo pra não se casar com quem não amava. A Filomena que era a empregada de Nacib e a melhor conselheira de Gabriela.
Pelo lado da política envolvida na obra, existem vários personagens, como Mundinho Falcão que era o símbolo do progresso e seus seguidores: Capitão Miguel Batista, o russo Jacob, Moacir Estrela e Padre Basílio. Coronel Ramiro Bastos que era o morador mais antigo de Ilhéus e se sentia em constante poder. Existem vários outros personagens que aparecem na história, mas não vou citar todos porque são vários casos e acontecimentos que se encaixam na história, mas que, não são de total importância. 
A história desse livro é simples, acontece na sociedade da cidade de Ilhéus, com questões financeiras, crimes necessários pela visão dos homens e coronéis da cidade, uma história de amor bem humorada e os costumes da cidade.  Interessei-me pela obra, quando começou a passar na rede Globo, a novela Gabriela, que é a segunda reprodução da obra. Se já esta passando pela segunda vez, com certeza seria boa. Mas, me deparei com uma história um pouco diferente. Na novela atual, existem personagens que não estão na obra de Jorge Amado, os acontecimentos estão totalmente fora de ordem de acordo com o livro, e as características dos personagens são diferentes. O que aconteceu é que gostei muito mais do livro, e me interessei pelas outras obras de Jorge. A conexão que ele estabelece com suas palavras simples e originais do povo de Ilhéus, nós envolve a uma leitura muito agradável do seu livro.
 Resumo/Síntese de Angélica Pereira