Espaço alunos

28 de janeiro de 2015

RESENHA: “Gêneros multimodais e multiletramento”

DIONISIO, A. P. Gêneros multimodais e multiletramento. In: KARXOSKI, A. M.; GAYDECZKA, B.; BRITO, K. S. (Orgs.). Gêneros textuais: reflexão e ensino. 3. ed. Rio de Janeiro: Lucerna, 2008, p.119-132.

Angela Paiva Dionisio possui doutorado em Letras pela Universidade Federal de Pernambuco (1998) e pós-doutorado pela Universidade da Califórnia em Santa Barbara (2004). É professora de Língua Portuguesa e Linguística do Departamento de Letras da Universidade Federal de Pernambuco e editora da revista “Ao Pé da Letra”. Possui várias publicações na área de Linguística, com ênfase em Análise da Conversação, Linguística Textual e Gêneros Textuais, atuando, principalmente, nos seguintes temas: ensino de língua materna, gêneros textuais, instrução multimodal e formação do professor.
Dionisio escreveu um artigo intitulado “Gêneros multimodais e multiletramento”, em que o dividiu em cinco seções. A primeira delas é denominada “Introdução”, a segunda “Multimodalidade: traço constitutivo do texto falado e escrito”, a terceira “Informatividade visual nos gêneros textuais e escritos: variações num contínuo”, a quarta “Inovações tecnológicas e novas formas de interação com os textos” e a quinta “Gêneros multimodais e multiletramento: algumas reflexões”.
Inicialmente, a doutora afirma que, atualmente, vive-se na era da tecnologia, na qual as formas de interação são influenciadas pelos avanços tecnológicos. Em consequência disso, segundo a autora, há uma necessidade de revisão e ampliação de alguns conceitos basilares no campo dos estudos das interações humanas e do processamento textual.
Para a professora, deve-se revistar o conceito de letramento, já que a sua definição como habilidade de ler e escrever não abrange todos os diferentes tipos de representação do conhecimento existentes na sociedade. Na atualidade, uma pessoa letrada deve ser uma pessoa capaz de atribuir sentidos a mensagens oriundas de múltiplas fontes de linguagem, bem como ser capaz de produzir mensagens, incorporando múltiplas fontes de linguagem.
A referida autora prossegue ressaltando a relação mantida, cada vez mais próxima e integrada, entre imagem e palavra. Assim, todos os recursos utilizados na construção dos gêneros textuais exercem uma função retórica na construção de sentidos dos textos. De acordo com a mesma, vive-se em uma sociedade cada vez mais visual, em que a combinação de material visual com a escrita é observada com grande frequência.
Segundo Dionisio, quando se usa a linguagem, realizam-se ações individuais e sociais que são manifestações sócio-culturais, materializadas em gêneros textuais. Ela salienta que esses são frames de ações sociais, por isso pode-se jogar com uma variedade de formas em diferentes situações sociais e com diferentes objetivos.
A professora afirma que os meios de comunicação de massa escritos e a leitura são dois espaços sociais de grande produtividade para a experimentação de arranjos visuais e que os gêneros textuais multimodais não são apenas os aspectos visuais, mas também a própria disposição gráfica do texto no papel ou na tela de computador.
A doutora também destaca que a maior liberdade na manipulação dos gêneros textuais está atrelada a uma relação direta com a audiência e com o meio físico que transmite o gênero, gênero este que molda os pensamentos formados e as comunicações pelas quais há interação.
Para a autora, há diferentes níveis da manifestação da organização multimodal, que se estendem do nível de representação mais padronizado de acordo com as instâncias a que o texto se destina. Há, também, a existência de um contínuo informativo visual dos gêneros textuais escritos que vai do menos visualmente informativo ao mais visualmente informativo.
Na sequência, Dionisio passa a focalizar no infográfico, que é uma criação gráfica, utilizando recursos visuais, associados a textos curtos, para apresentar informações jornalísticas de forma objetiva e atraente. A professora realizou uma pesquisa com 10 leitores de diferentes idades, pretendendo observar seus movimentos oculares no processamento de gêneros com diferentes graus de informatividade visual. Ela utilizou gêneros textuais publicados em três revistas e percebeu que a atenção de crianças e adolescentes ficou voltada ao elemento visual do texto e a dos adultos ficou voltada ao texto verbal, mostrando serem menos receptivos a textos com novos layouts.
A professora finaliza seu artigo, concluindo ser, cada vez mais frequente, a preocupação dos professores em inserir gêneros textuais diversos e recursos tecnológicos da sociedade moderna nas atividades realizadas em sala de aula. Para ela, é necessário que o professor esteja ciente de que diferentes especificações de multimodalidade textual são apresentadas e diferentes letramentos são exigidos, de acordo com a sofisticação e a especialização dos gêneros de cada disciplina.
O referido artigo apresenta uma importante contribuição para a reflexão sobre gêneros, sendo de muita utilidade para esclarecer aspectos pouco discutidos por pesquisadores da área. Dionisio salienta a necessidade de maiores investigações no aspecto da escrita, no que diz respeito ao caráter multimodal assumido pelo letramento com as novas tecnologias. Seu artigo é destinado àquelas pessoas que já possuem uma boa noção de gêneros, incluindo profissionais e estudantes da área de Letras.
ANGÉLICA PEREIRA MARTINS
DAYANE AMORIM GOMES
GABRIELA GOMES DE FARIA
PAULA BOAVENTURA VELOSO