Inclusão e
Exclusão Digital
Antes de chegar ao conceito de inclusão e exclusão social, deve-se ressaltar
que a pobreza não é um fenômeno isolado. A maneira como ela é definida e
percebida depende do nível de desenvolvimento cultural, tecnológico e político
de cada sociedade. A introdução de novos produtos, que passam a ser indicativos
de uma condição de vida “civilizada” (seja telefone, eletricidade, geladeira,
rádio ou TV), aumenta o patamar abaixo do qual uma pessoa ou família é
considerada pobre.
A citação
a seguir m ostra uma vertente da questão de inclusão como algo mais amplo: “Vivemos em um mundo de opulência sem
precedentes. O regime democrático e participativo tornou-se o modelo
preeminente de organização política. Os conceitos de direitos humanos e
liberdade política hoje são parte da retórica prevalecente. As pessoas vivem,
em média, muito mais tempo e as regiões do globo estão mais estreitamente
ligadas nos campos das trocas e também quanto aidéias e ideais. Entretanto,
vivemos igualmente em um mundo de privação e opressão extraordinárias no qual
persistem a pobreza e necessidades essenciais não satisfeitas, fome, violação
de liberdades, negligência para com as mulheres, e graves ameaças ao meio
ambiente, tanto em países ricos, como em países pobres. Superar esses problemas
é parte central do processo de desenvolvimento.” (SEN, 2000,pp.9-10).
A
exclusão digital se diz respeito às conseqüências sociais, econômicas e
culturais da distribuição desigual do acesso a computadores e Internet. Antes,
excluía destes parâmetros acesso à telefonia. Embora pertença ao mesmo grupo de
produtos de tecnologia avançada, até por compartilhar a mesma infra-estrutura,
sob uma perspectiva sociológica, realmente o telefone possui características
bem diferentes dos demais: é parte da família de produtos “inclusivos para
analfabetos” — que podem ser utilizados por pessoas tecnicamente sem nenhuma
escolaridade —, enquanto os computadores e a Internet exigem um grau mínimo de
instrução. Mas com a evolução do sistema de telefonia, vendo pela perspectiva do
celular, pode-se considerar este termo ultrapassado, pois hoje a internet está
em voga no celular (emails, mensageiros instantâneos, mobile-commerce), criando
uma margem ainda maior de exclusão para aqueles que não sabem utilizar a
Internet e tão pouco os diversos recursos e aparatos presentes em um único
aparelho móvel.
Como o
ciclo de acesso a novos produtos começa com os ricos e se estende aos pobres
após um tempo mais ou menos longo (e que nem sempre se completa), há um aumento
da desigualdade. Os ricos são os primeiros a usufruir as vantagens do uso e/ou
domínio dos novos produtos no mercado de trabalho, enquanto a falta destes
aumenta as desvantagens dos grupos excluídos. Em ambos os casos, os novos
produtos tecnologicamente avançados aumentam consequentemente a pobreza e a
exclusão digital.
A
inclusão digital é geralmente definida num país pela relação entre a
porcentagem de pessoas com acesso a computador e/ou Internet no domicílio e o
total da população. Para identificar as pessoas incluídas, o critério
geralmente utilizado é o número de computadores por domicílio e/ou de
computadores por domicílio com acesso à Internet. Essa metodologia já foi alvo
de críticas, pois em países com um número significativo de pontos de acesso
coletivo (comumente denominados telecentros ou cibercafés). Argumenta-se também
que as famílias de classe média normalmente possuem mais de um computador por
domicílio, fato que não ocorre nas famílias pobres, o que significaria um
número maior de usuários por computador nas famílias pobres e menor nas
famílias de classe média.
No caso
brasileiro, o impacto estatístico dos telecentros é secundário, dado que seu
número em escala nacional ainda é relativamente. Por sua vez, a expectativa de
um maior número de usuários por computador no domicílio das famílias pobres
deve ser qualificada, já que, como indica a pesquisa, na maioria dos casos são
poucos os seus membros que usam computador.
O
processo desigual de disseminação do computador entre a população das
diferentes cidades do Brasil reflete sem dúvida o nível desigual de riqueza e
escolaridade entre as diferentes regiões e cidades, em particular entre as
populações pobres das regiões Norte e Nordeste e do Centro-Sul. A posse do
computador, porém, está também associada a um componente intangível: a
disseminação de uma cultura de valorização da informática associada em especial
à noção de que seu domínio é condição de emprego e sucesso na educação.
De fato,
em qualquer pesquisa sobre perspectivas de empregabilidade e carreira profissional,
em uma única pergunta para a qual encontra-se uma resposta consensual,
independentemente de grau de escolaridade, renda, cor e gênero, e quanto à
importância do conhecimento de informática para a obtenção de emprego: é
garantido que quase totalidade dos entrevistados indica que este conhecimento
ajuda a conseguir trabalho. Portanto, se a disseminação do computador tem uma
óbvia correlação com o nível de renda e de escolaridade, ela está igualmente
associada aos padrões culturais mais amplos de informatização da sociedade.
Com estas
vertentes, pode-se dizer que incluir digitalmente não é apenas “alfabetizar” a
pessoa em informática, mas também melhorar os quadros sociais a partir do
manuseio dos computadores. O erro de interpretação é comum, porque muita gente
acha que inclusão digital é colocar computadores na frente das pessoas e apenas
ensiná–las a usar Windows e pacotes de escritório. A analogia errônea tende a
irritar os especialistas e ajuda a propagar cenários surreais da chamada
inclusão digital, como é o caso de comunidades ou escolas que recebem
computadores novinhos em folha, mas que nunca são utilizados porque não há
telefone para conectar a internet ou porque faltam professores qualificados
para repassar o conhecimento necessário.
Entende-se
que não é apenas ensinar os princípios do bê–á–bá da linguagem informatiquês,
mas mostrando como ela pode ganhar dinheiro e melhorar de vida com ajuda do
computador e seus aparatos avançados. Ou seja, para que a Inclusão Digital
diminua o efeito colateral da Exclusão digital, é necessário capacitar as
pessoas com essas tecnologias para que possam utilizá-las em benefício próprio
e coletivo e ao mesmo tempo tornando essas pessoas com senso crítico de tudo o
que pode acontecer ao seu redor.
Parte do trabalho realizado no primeiro semestre do curso de Letras, em Linguagem e Comunicação, Unipam, Alunos Angélica, Paula, Nelson, Rafaela, Nathielle, Telma, Lorena, Marina.
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