Espaço alunos

25 de setembro de 2012

RESUMO "O que é arte" Jorge Coli


Seguem alguns trechos importantes do livro ‘ O que é arte?’

“Dizer o que é arte é uma coisa difícil. (...) Se buscamos uma resposta clara e definitiva, decepcionamo-nos: elas são divergentes, contraditórias, além de freqüentemente se pretenderem exclusivas, propondo-se como solução única. (...) Tantas e tão diferentes são as concepções sobre a natureza da arte. Entretanto se pedirmos a qualquer pessoa que possua um mínimo contato com a cultura para nos citar alguns exemplos de obras de arte ou de artistas, ficaremos certamente satisfeitos.” (p. 7)
“Arte são certas manifestações da atividade humana diante das quais nosso sentimento é admirativo. (...) Se não conseguimos saber o que a arte é, pelo menos sabemos quais coisas correspondem a essa idéia e como devemos nos comportar diante delas.” (p. 8)

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"A partida do trem" Clarice Lispector

A partida era na Central com seu relógio enorme, o maior do mundo. Marcava seis horas da manhã. Ângela Pralini pagou o táxi e pegou sua pequena valise. Dona Maria Rita Alvarenga Chagas Souza Melo desceu do Opala da filha e encaminharam-se para os trilhos. A velha bem vestida e com jóias. Das rugas que a disfarçavam saía a forma pura de um nariz perdido na idade, e de uma boca que outrora devia ter sido cheia e sensível. Mas que importa. Chega-se a um certo ponto—e o que foi não importa. Começa uma nova raça. Uma velha não pode comunicar-se. Recebeu o beijo gelado de sua filha que foi embora antes do trem partir. Ajudara-a antes a subir no vagão. Sem que neste houvesse um centro, ela se colocara do lado. Quando a locomotiva se pôs em movimento, surpreendeu-se um pouco: não esperava que o trem seguisse nessa direção e sentara-se de costas para o caminho.
Ângela Pralini percebeu-lhe o movimento e perguntou-lhe:
—A senhora deseja trocar de lugar comigo?


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24 de setembro de 2012

A última crônica


 A caminho de casa, entro num botequim da Gávea para tomar um café  junto ao balcão. Na realidade estou adiando o momento de escrever. A perspectiva me assusta. Gostaria de estar inspirado, de coroar com êxito mais um ano nesta busca do pitoresco ou do irrisório no cotidiano de cada um. Eu pretendia apenas recolher da vida diária algo de seu disperso conteúdo humano, fruto da convivência,  que a faz mais digna de ser vivida. Visava ao circunstancial, ao episódico. Nesta perseguição do acidental, quer num flagrante de esquina, quer nas palavras de uma criança ou num acidente doméstico, torno-me simples espectador e perco a noção do essencial. Sem mais nada para contar, curvo a cabeça e tomo meu café, enquanto o  verso do poeta se repete na lembrança: "assim eu quereria o meu último poema". Não sou poeta e estou sem assunto. Lanço então um último olhar fora de mim, onde vivem os assuntos que merecem uma crônica. Ao fundo do botequim um casal de pretos acaba de sentar-se, numa das últimas mesas de mármore ao longo da parede de espelhos. A compostura da humildade, na contenção de gestos e palavras, deixa-se acrescentar pela presença de uma negrinha de seus três anos, laço na cabeça, toda arrumadinha no vestido pobre, que se instalou também à mesa: mal ousa balançar as perninhas curtas ou correr os olhos grandes de curiosidade ao redor. Três seres esquivos que compõem em torno à mesa a instituição tradicional da família, célula da sociedade. Vejo, porém, que se preparam para algo mais que matar a fome. Passo a observá-los. O pai, depois de contar o dinheiro que discretamente retirou do bolso, aborda o garçom, inclinando-se para trás na cadeira, e aponta no balcão um pedaço de bolo sob a redoma. A mãe limita-se a ficar olhando imóvel, vagamente ansiosa, como se aguardasse a aprovação do garçom. Este ouve concentrado, o pedido do homem e depois se afasta para atendê-lo. A mulher suspira, olhando para os lados, a assegurar da naturalidade de sua presença ali. A meu lado o garçom encaminha a ordem do freguês. O homem atrás do balcão apanha a porção do bolo com a mão, larga-o no pratinho -- um bolo simples, amarelo-escuro, apenas uma pequena fatia triangular. A negrinha, contida na sua expectativa, olha a garrafa de Coca-Cola e o pratinho que o garçom deixou à sua frente. Por que não começa a comer? Vejo que os três, pai, mãe e filha, obedecem em torno à mesa um discreto ritual. A mãe remexe na bolsa de plástico preto e brilhante, retira qualquer coisa. O pai se mune de uma caixa de fósforos, e espera. A filha aguarda também, atenta como um animalzinho. Ninguém mais os      observa além de mim. São três velinhas brancas, minúsculas, que a mãe espeta caprichosamente na fatia do bolo. E enquanto ela serve a Coca-Cola, o pai risca o fósforo e acende as velas. Como a um gesto ensaiado, a menininha repousa o queixo no mármore e sopra com força, apagando as chamas. Imediatamente põe-se a bater palmas, muito compenetrada, cantando num balbucio, a que os pais se juntam, discretas: "parabéns pra você, parabéns pra você..." Depois a mãe recolhe as velas, torna a guardá-las na bolsa. A negrinha agarra finalmente o bolo com as duas mãos sôfregas e põe-se a comê-lo. A mulher está olhando para ela com ternura -- ajeita-lhe a fitinha no cabelo crespo, limpa o farelo de bolo que lhe cai ao colo. O pai corre os olhos pelo botequim, satisfeito, como a se convencer intimamente do sucesso da celebração. Dá comigo de súbito, a observá-lo, nossos olhos se encontram, ele se perturba, constrangido -- vacila, ameaça abaixar a cabeça, mas acaba sustentando o olhar e enfim se abre num sorriso. Assim eu queria minha última crônica: que fosse pura como esse sorriso.

Livro: "A Companheira de viagem"
Autor: Fernando Tavares Sabino
Editora: RECORD
Ano: 1965

O autor afirma que sua última crônica teria que ser assim, pura como o sorriso do pai. Ao final, o negro, que de início estava acanhado, encontra o olhar do autor, o sustenta e emite um sorriso. O que há de bom no ser humano surge, representado pela pureza desse sorriso.
Fernando Sabino passa para os leitores a mensagem de que olhando para fora de si, vários eventos ocorrem cotidianamente e deles podemos extrair características e formular lições de vida através de pequenos gestos.
Essa idéia pode se concretizar através da simplicidade descrita pelo autor, referente à família de negros, como as três básicas velas brancas, a comemoração dentro de um botequim, o bolo simples e amarelado, e a filhinha arrumada dentre suas vestimentas pobres.

Postagem de Angélica Pereira


20 de setembro de 2012

'Ser feliz sem motivo é a mais autêntica forma de felicidade.'   Carlos Drummond de Andrade


7 de setembro de 2012

"Nunca estarei completamente sozinha se existir um bloco de notas virtual ao meu lado, ou apenas, lápis e um pedaço qualquer de papel; Todos sentem a necessidade de desabafar, ou apenas falar. Mas poucos encontram um alguem para ouvir e aconselhar; Escrever é o modo mais seguro de dizer o que se tem a dizer, e ser sincero com a espontaneidade das próprias palavras, o papel não critica, não ri, não humilha, não decepciona, apenas transmite o conforto do desabafo na sua quietude e serenidade de ser seu finito ser."

Trecho de Angélica Pereira

4 de setembro de 2012


Poeminha do contra

Todos estes que aí estão
atravancando meu caminho,
Eles passarão,
Eu passarinho.



Poema de Mario Quintana, o que ele diz sobre 'efeito de sentido' é expresso claramente em 'eles passarão' (que representa um sentimento de mágoa, representa as pessoas que não o aceitaram na Academia Brasileira de Letras, quando ele foi indicado pela terceira vez), e ele, feliz como um 'passarinho' continuaria dando seus vôos artísticos.



Postagem escrita por Angélica Pereira