DIONISIO,
A. P. Gêneros multimodais e multiletramento. In:
KARXOSKI, A. M.; GAYDECZKA, B.; BRITO, K. S. (Orgs.). Gêneros textuais: reflexão e ensino. 3. ed. Rio de Janeiro: Lucerna, 2008, p.119-132.
Angela Paiva Dionisio
possui doutorado em Letras pela
Universidade Federal de Pernambuco (1998) e pós-doutorado pela Universidade da
Califórnia em Santa Barbara (2004). É professora de Língua Portuguesa e
Linguística do Departamento de Letras da Universidade Federal de Pernambuco e editora
da revista “Ao Pé da Letra”. Possui várias publicações na área de Linguística,
com ênfase em Análise da Conversação, Linguística Textual e Gêneros Textuais,
atuando, principalmente, nos seguintes temas: ensino de língua materna, gêneros
textuais, instrução multimodal e formação do professor.
Dionisio escreveu um artigo intitulado “Gêneros multimodais e
multiletramento”, em que o dividiu em cinco seções. A primeira delas é
denominada “Introdução”, a segunda “Multimodalidade: traço constitutivo do
texto falado e escrito”, a terceira “Informatividade visual nos gêneros
textuais e escritos: variações num contínuo”, a quarta “Inovações tecnológicas
e novas formas de interação com os textos” e a quinta “Gêneros multimodais e
multiletramento: algumas reflexões”.
Inicialmente, a doutora afirma que, atualmente, vive-se na
era da tecnologia, na qual as formas de interação são influenciadas pelos
avanços tecnológicos. Em consequência disso, segundo a autora, há uma
necessidade de revisão e ampliação de alguns conceitos basilares no campo dos
estudos das interações humanas e do processamento textual.
Para a professora, deve-se revistar o conceito de letramento,
já que a sua definição como habilidade de ler e escrever não abrange todos os
diferentes tipos de representação do conhecimento existentes na sociedade. Na
atualidade, uma pessoa letrada deve ser uma pessoa capaz de atribuir sentidos a
mensagens oriundas de múltiplas fontes de linguagem, bem como ser capaz de
produzir mensagens, incorporando múltiplas fontes de linguagem.
A referida autora prossegue ressaltando a relação mantida,
cada vez mais próxima e integrada, entre imagem e palavra. Assim, todos os
recursos utilizados na construção dos gêneros textuais exercem uma função
retórica na construção de sentidos dos textos. De acordo com a mesma, vive-se
em uma sociedade cada vez mais visual, em que a combinação de material visual
com a escrita é observada com grande frequência.
Segundo
Dionisio, quando se usa a linguagem, realizam-se ações individuais e sociais
que são manifestações sócio-culturais, materializadas em gêneros textuais. Ela
salienta que esses são frames de ações sociais, por isso pode-se jogar com uma
variedade de formas em diferentes situações sociais e com diferentes objetivos.
A
professora afirma que os meios de comunicação de massa escritos e a leitura são
dois espaços sociais de grande produtividade para a experimentação de arranjos
visuais e que os gêneros textuais multimodais não são apenas os aspectos
visuais, mas também a própria disposição gráfica do texto no papel ou na tela
de computador.
A
doutora também destaca que a maior liberdade na manipulação dos gêneros
textuais está atrelada a uma relação direta com a audiência e com o meio físico
que transmite o gênero, gênero este que molda os pensamentos formados e as
comunicações pelas quais há interação.
Para a autora, há
diferentes níveis da manifestação da organização multimodal, que se estendem do
nível de representação mais padronizado de acordo com as instâncias a que o
texto se destina. Há, também, a existência de um contínuo informativo visual
dos gêneros textuais escritos que vai do menos visualmente informativo ao mais
visualmente informativo.
Na sequência,
Dionisio passa a focalizar no infográfico,
que é uma criação gráfica, utilizando recursos visuais, associados a textos
curtos, para apresentar informações jornalísticas de forma objetiva e atraente.
A professora realizou uma pesquisa com 10 leitores de diferentes idades,
pretendendo observar seus movimentos oculares no processamento de gêneros com
diferentes graus de informatividade visual. Ela utilizou gêneros textuais
publicados em três revistas e percebeu que a atenção de crianças e
adolescentes ficou voltada ao elemento visual do texto e a dos adultos ficou
voltada ao texto verbal, mostrando serem menos receptivos a textos com novos layouts.
A professora finaliza
seu artigo, concluindo ser, cada vez mais frequente, a preocupação dos
professores em inserir gêneros textuais diversos e recursos tecnológicos da
sociedade moderna nas atividades realizadas em sala de aula. Para ela, é
necessário que o professor esteja ciente de que diferentes especificações de
multimodalidade textual são apresentadas e diferentes letramentos são exigidos,
de acordo com a sofisticação e a especialização dos gêneros de cada disciplina.
O referido artigo
apresenta uma importante contribuição para a reflexão sobre gêneros, sendo de
muita utilidade para esclarecer aspectos pouco discutidos por pesquisadores da
área. Dionisio salienta a necessidade de maiores investigações no aspecto da
escrita, no que diz respeito ao caráter multimodal assumido pelo letramento com
as novas tecnologias. Seu artigo é destinado àquelas pessoas que já possuem uma
boa noção de gêneros, incluindo profissionais e estudantes da área de Letras.
ANGÉLICA
PEREIRA MARTINS
DAYANE
AMORIM GOMES
GABRIELA
GOMES DE FARIA
PAULA
BOAVENTURA VELOSO

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