Ao estudar 'Osman Lins' em 'Poéticas do Espaço' com a Prof. Marisa Martins Gama Khalil (no mestrado em Estudos Literários da Universidade Federal de Uberlândia-UFU), foi pedido que os alunos criassem um texto curto com uma narrativa que abordasse a ambientação franca, reflexa e dissimulada, que era o tema trabalhado em aula. Segue abaixo a narrativa que eu criei em aula:
"Já havia visto a patroa partir, o patrão e ainda restava o bebê – que estava no andar de cima em sono profundo. A mesa permanecia no seu lugar, enquanto o resto da cozinha estava em desordem. Cadeiras jogadas, quebradas e espalhadas pelo chão. Retratos de família estilhaçados no assoalho, cortina rasgada, porta arrombada, gavetas jogadas ao chão, acompanhadas pelas facas ensanguentadas escolhidas a dedo. Por debaixo do forro da mesa, a visão era dos pés do assassino, que andava pelo assoalho da cozinha emitindo ruídos estridentes. Minha respiração ficou incontrolavelmente ofegante, o suor descia pelo meu rosto e pingava no chão fazendo com que a atenção dele se voltasse para mim. Fui traída pela batida forte do meu coração e a respiração barulhenta que me revelou a seus olhos. A mesa caiu para trás com seu golpe, levantei, corri e gritei como se estivesse em um pesadelo. E estava, senti o primeiro golpe nas costas e caí na escada fria, o sangue descia e jorrava, não tive forças para reagir, me virei, o encarei, seus olhos eram cor de fogo, me encarando com ódio e desprezo. O último golpe foi em meu peito, ouvi o choro do bebê que acordara com a agitação e com meus gritos, e não tive tempo de presenciar o que lhe acontecera..."
Angélica Pereira
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