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15 de setembro de 2013

Resumo: Amor de Perdição - Camilo Castelo Branco

Amor de Perdição - Camilo Castelo Branco
Escrito em 15 dias, Amor de Perdição (1863) não pode ser lembrado apenas como o mais bem acabado exemplo de novela passional, em que predomina o descabelamento amoroso e as paixões desenfreadas. Deve-se também destacar o mérito de possuir uma narrativa enxuta, concisa e extremamente criativa na invenção de obstáculos e peripécias, tornando o texto dinâmico, ágil.
A história inicia-se apresentando Domingos José Correia Botelho de Mesquita e Meneses, magistrado que em 1779 consegue, com a graça da Rainha D. Maria, a Louca, casar-se com D. Rita Teresa Margarida Preciosa da Veiga Caldeirão Castelo Branco, ex-aia, pais do protagonista. É normal em Camilo, assim como em boa parte do Romantismo, essa preocupação com datas, genealogias e citações de documentação histórica, em nome de uma maior verossimilhança possível.
Já se nota nesse início o caráter espirituoso do narrador ao apresentar as desventuras de D. Rita, perdida, por causa de seu esnobismo, em meio à província. Além de as situações ridículas, criadas por ela, servirem de humor, há uma leve intenção de ataque à nobreza decadente e empolada. Não se trata de uma crítica social amarga no tom do Realismo. Camilo Castelo Branco desprezava romances que se dedicavam a isso. Na verdade, sua censura tem tom idealista, pois despreza as questões de honra ditadas pelo nome e pelo dever, dando atenção aos que fossem ditados pela honra do coração, que lhe seria mais autêntica. É uma temática a ser enfocada em mais outros momentos dessa obra, como na caracterização do segundo filho desse casal, Simão Botelho, justamente o protagonista. De início, já irrita sua mãe quando despreza o peso do nome e convive com pessoas das classes baixas. Talvez seja um alter ego do autor.

Resumo de Frei Luís de Souza, Almeida Garrett


“Em 1578, o rei D. Sebastião desapareceu na Batalha de Alcácer-Quibir. Não tendo deixado herdeiros, houve uma longa disputa pela sucessão. Entre os pretendentes estava Filipe, rei da Espanha, que anexou Portugal ao seu império em 1580. O domínio espanhol duraria sessenta anos (1580 a 1640). Criou-se nesse período o mito popular do "Sebastianismo", segundo o qual D. Sebastião, retornaria para reerguer o império português. Entre os nobres desaparecidos em Alcácer-Quibir estava D. João de Portugal, marido de Madalena de Vilhena. Tendo esperado durante sete anos o retorno do marido, Madalena acabou contraindo segundas núpcias com Manuel de Sousa Coutinho. Entretanto, vivia angustiada com a possibilidade de que o primeiro marido estivesse ainda vivo. Suas angústias eram alimentadas por Telmo Paes, o fiel escudeiro de D. João. Essa situação perdurou por vinte anos, no fim dos quais, D. João, que realmente estava vivo, retornou a Portugal. Revelada a sua identidade, no ponto culminante da peça, o desespero domina todas as personagens. No desenlace trágico, Manuel Coutinho e Madalena resolvem tomar o hábito religioso, como forma de expiação; durante a cerimônia, Maria de Noronha, filha do casal, tomada pela vergonha e pelo desespero, morre aos pés de seus pais. A atitude de Manuel de Sousa Coutinho em relação ao domínio espanhol assim como o retorno de D. João de Portugal (associado, evidentemente, ao sebastianismo) inserem-se na temática nacionalista, tão cara aos românticos da primeira geração."
Personagens principais:
D. Manuel Coutinho de Souza (protagonista): herói romântico; filho de Lopo de Souza Coutinho; segundo esposo de D. Madalena; fidalgo honrado e religioso; abandona o nome de batismo ao ser convertido em frei. Passa a chamar-se Frei Luís de Souza.